Estava fazendo feira com a Ana, cai num buraco, torci o tornozelo direito, ralei o joelho esquerdo. Fiquei uma semana de tala no pé, andando com apoio de muleta, que ocasionou uma inflamação no pulso esquerdo. Daí troquei a tala pelo primeiro gesso da minha vida, por mais 2 semanas e fisioterapia. E com a inflamação do pulso veio a cadeira de rodas.
Descobri uma fratura pequena antiga no tornozelo direito, de quando era criança, 23 anos sem saber desse pequeno osso partido... e fui bailarina por anos nesse tempo... rs... ironias da vida...
Minha filha teve que passar férias na minha mãe, e graças a Deus tenho ela pra me ajudar. Estou morrendo de saudades da minha pequeninha e a impotencia para cuidar dela me dói muito.
Sou obrigada a ficar imóvel, de perna pra cima. É um tempo de descanso obrigatório, mas fazia muito tempo que não tinha tempo pra mim...
Estou com o Ivan, que mexe bastante na minha barriga.
E tendo que aguentar o Paulo. No início dessa fase achei que era a vida nos obrigando a ficarmos sós, a eu depender dele e ele ser obrigado a cuidar de mim e assumir todas as tarefas da casa. Que fosse pra nos entendermos... e no começo até seguiu assim... Mas o precipício entre nós é mais fundo... com o tempo me viro cada vez mais sozinha e ele vai se abstendo ao mínimo de ajuda. Já chorei de sentir o descaso e o egoísmo e já passei raiva depois de ainda ter que aguentar o melindre dessa maldita personalidade geminiana que cada dia acorda com um humor.
Um teste da vida... entorse é desequilibrio, e realmente estou desequilibrada com o dia-a-dia, com minhas emoções e pensamentos há muito tempo.
E que adianta tanto pensar e procurar saída, se o fazer e os acontecimentos não são como os pensamentos, simples de resolver.
Preciso é vencer a mim mesma, deixar o tempo passar e superar essa fase... as lágrimas explodem dentro de mim muitas vezes, toda dor e amargura que fica ignorada dentro de mim no cotidiano de uma convivencia pesada e desagradável, armada e sem sintonia, saem com a dor física, somatizada, refletida, limitada.
Sinto falta da minha filha... muita...
Me sinto o centauro com a pata quebrada tendo que me limitar à parte humana. Eu não queria estar, mas estou bem triste. Eu não queria que o Ivan sentisse tudo isso dentro de mim, mas quando consigo me animar, serenar, me resignar, basta o pólo oposto chegar e me desequilibrar, perturbar.
Um dia atrás do outro... é o que me resta...
Aguardar minha recuperação pra ter meus filhos comigo, a Ana e o Ivan do lado de fora. E dedicar minha vida a eles.
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